Análise de Desempenho no Futevôlei

2019-03-13T11:49:59+00:00 13 março, 2019|0 Comments

Talvez por ser um esporte lúdico praticado ao ar livre, característico das nossas praias, o aprendizado do futevôlei notabiliza-se pela intuição. Praticamente não há acervo algum de estudos sobre o tema. Com esse propósito, a Performance e a escola Squadra Futevôlei se uniram para aprofundar o conhecimento teórico e desenvolver processos metodológicos e de análise.

O primeiro passo foi estudar os princípios do futebol e do vôlei, encontrando semelhanças que pudessem ser extrapoladas e adaptadas ao futevôlei. Estes conceitos são o resultado deste exercício, ainda em construção e aprimoramento, e integram a apostila do curso de formação de professores da escola Squadra:

1) FASES DO JOGO

O futevôlei oferece a constante alternância entre duas fases: ofensiva (ataque e contra-ataque) e defensiva (recepção e defesa). Esta alternância ocorre devido às características deterministas do regulamento:

–  Ausência de invasão do campo adversário (delimitado pela rede);

–  Disputa indireta pela bola (não há contato);

–  Limitação do número de toques para finalizar a jogada (no máximo 3);

–  Circulação aérea da bola.

2) PRINCÍPIOS OPERACIONAIS

São as ações necessárias para se alcançar os objetivos (impedir o ponto adversário e marcar o ponto), subdivididos em três, conforme a teoria do vôlei:

–  Controlar (primeiro toque): evitar que a bola caia na própria quadra através da recepção do saque ou da defesa do ataque; e criar boas condições para a sequência com levantamento (direcionamento e altura da bola);

–  Construir (segundo toque): organizar, através do levantamento, o ataque/contra-ataque; repete-se a ênfase no direcionamento (meio da quadra, próximo à rede) e na altura da bola;

–  Finalizar (terceiro toque): finalizar a sequência com marcação de ponto em ataque, ou dificultar a realização desta dinâmica pela dupla adversária.

Vale destacar que, devido às circunstâncias da jogada, por vezes não haverá condições para executar a dinâmica ideal de três toques, embora os objetivos se mantenham (impedir o ponto adversário e marcar o ponto).

3) PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Representam um conjunto de regras táticas e técnicas que orientam as ações dos jogadores com o objetivo de facilitar a gestão do espaço e a execução das tarefas de ataque e defesa:

–  Aproximação: reagir aos movimentos do companheiro, mantendo curta a distância entre ambos;

–  Direcionamento: orientar o corpo de forma que facilite o direcionamento ideal da bola no momento da execução de uma ação técnica;

–  Tempo (Altura): manter a bola no alto, proporcionando tempo à intervenção do companheiro.

4) TÁTICA E ESTRATÉGIA

A dinâmica imposta pelas regras torna as ações do futevôlei fortemente ligadas à constante relação de cooperação/oposição. Ou seja, cada tomada de decisão será influenciada pela sequência anterior, e consequentemente influenciará a próxima ação.

O tempo, o espaço, a velocidade o ritmo e a bola têm trajetórias variáveis. Essas incertezas levam o jogador a antecipar/prever padrões, por isso o treinamento e a prática aprimoram a leitura das diferentes situações.

Conhecer as virtudes e fraquezas de todos os envolvidos – de si, do companheiro e dos adversários – possibilita criar os ajustes estratégicos específicos para o confronto, através desta leitura e da consequente identificação de padrões para tomar as decisões acertadas.

A resposta à leitura se baseia em vários fatores: velocidade de reação, condicionamento físico, orientação corporal, concentração na execução dos gestos, entre outros.

5) DIMENSÕES DE ANÁLISE

–  Jogador: o futevôlei exige jogadores com alta versatilidade funcional, porque sua dinâmica instável e imprevisível faz com que todos executem todas as tarefas com distintas ações técnicas;

–  Espaço: a experiência adquirida pelo jogador possibilita uma diversidade de combinações espaciais dentro da dupla como forma de intervir positivamente. Manter-se próximo ao companheiro e movimentar-se pelo centro da quadra – evitando saídas lateralizadas – são comportamentos fundamentais para potencializar o sucesso da sequência de ações que vão da defesa/recepção ao ataque com finalização em ponto;

–  Tempo: o jogo exige uma constante análise de situações para tomar as decisões adequadas com a máxima rapidez. Desta forma, quanto mais tempo é disponibilizado aos jogadores para realizar suas ações tático- técnicas, menor será a probabilidade de cometerem erros. E a ação que otimiza o uso do tempo é dar altura à bola, o que permite ao companheiro deslocar-se e orientar o corpo para a execução do gesto correto – priorizando as partes altas do corpo (peito, ombro e cabeça);

–  Tarefa: saque, recepção, levantamento, ataque e defesa (em alto nível, há bloqueio – com pés ou até cabeça – de ataques “especiais” como os “sharks” e “patadas”, mas em geral o bloqueio não é uma tarefa extrapolada do vôlei) . A resolução da tarefa depende da eficiência (execução mecânica do gesto), eficácia (sucesso obtido) e adaptação (escolha da ação mais adequada). À exceção do saque, todas têm formas de execução distintas, com variantes técnicas (uso do pé, da coxa ou do ombro – todos eles com lado dominante e não- dominante – do peito e da cabeça) e táticas-estratégicas.

6) GESTOS TÉCNICOS

Para resolver os problemas apresentados em cada tarefa, dentro da sequência de cooperação ou oposição, é preciso alta precisão na execução dos gestos técnicos. Abaixo podemos compreender de forma resumida as exigências mecânicas de cada fundamento:

–  Chapa: leve flexão da perna de apoio, uso dos braços para equilibrar-se, tronco ereto e batida com a parte interna do pé, sob a bola. A orientação corporal vai interferir no direcionamento da bola. Em determinadas situações, geralmente defensivas, é possível utilizar a parte superior do pé para dar altura à bola, flexionando a perna oposta para apoiar o joelho no chão;

–  Coxa: fundamento de execução mais imperfeita, também pede leve flexão da perna de apoio e uso dos braços para equilibrar o tronco ereto. Além da orientação corporal, o ponto de contato com a bola vai interferir no direcionamento (sobre a coxa, mais voltado à parte interna ou à parte externa, próximo ao joelho, etc). Um leve movimento contínuo, acompanhando a bola, serve para dar altura.

–  Peito: ação que mais exige coordenação, tempo de bola e capacidade física. Requisita base firme – pés paralelos, afastados e joelhos flexionados – inclinação do tronco para trás, contração do abdômen, abertura dos braços na linha da cabeça (expondo o osso esterno), com movimento explosivo no momento do contato sob a bola para dar altura com extensão de pernas. A orientação corporal é o principal para direcionamento;

–  Ombro: perna oposta à frente, joelhos levemente flexionados, elevação do braço ao lado do ombro – mantendo-o firme durante a execução (formando a “bandeja”) – para expor o ponto de contato. No momento da batida, extensão de pernas para impulsionar a bola;

–  Cabeça: base firme com pés paralelos, joelhos levemente flexionados, mãos elevadas ao lado da cabeça e foco na bola. Buscar contato com a testa, mantendo os olhos abertos para acertar o tempo, e utilizar as pernas para impulsionar, controlando a força e o direcionamento.

Análise de Desempenho – Possibilidades

É possível analisar o desempenho dos jogadores da mesma forma que o futebol e o vôlei fazem no aspecto tático-estratégico, mas também no aspecto técnico. Mesmo em alto nível, a lapidação da execução dos fundamentos é fundamental para o desenvolvimento do jogo. Estes são alguns produtos que a Performance e a Squadra podem desenvolver para os clientes:

– Plano de Jogo: estabelecer as “regras táticas” para duplas que buscam alto rendimento, identificando padrões e mapeando os comportamentos táticos, estratégicos e técnicos com melhor potencial. Na imagem abaixo pode-se ver um exemplo de Organização Defensiva desenvolvida para uma dupla de nível intermediário, identificando o posicionamento inicial, os quadrantes cobertos pelos jogadores e os pontos vulneráveis, assim como ajustes conforme os melhores ataques rivais:

– Scouting: tanto para auto-análise da dupla (direcionamento dos treinos), como para estudo de adversários (antecipação), é possível mapear as ações do jogo através de vetores e dados estatísticos que permitam identificar padrões. Aos conceitos de certo e errado na execução técnica foi acrescido o “insuficiente” – ação que permite sequência à jogada, embora com problemas na altura e/ou no direcionamento.

Pela dinâmica intensa da partida, com alta sucessão de ações, recomenda-se que o scouting seja feito pós-jogos, com base em filmagens de pontos mais altos que abranjam toda a quadra. Cada lado é subdividido em 9 quadrantes  – os 3 próximos à rede, os 3 de meio, e os 3 de fundo.

Abaixo um exemplo de possibilidade de mapa analítico:

Lapidação: com base nos conceitos apresentados no item 6 (gestos técnicos), aprimorar a execução dos fundamentos através de filmagens laterais para posterior análise e correção, conforme exemplo no vídeo abaixo:

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